5ª Edição - 2013

Terceira Idade - Crônica

Tema: O trânsito é de todos. Os idosos também podem contribuir para um trânsito mais seguro. 

1º lugar - Deyse da Silva Sobrinho

2º lugar - Vicente Riva Funicelli

3º lugar - Renata Elisa Zwerdling


 

1º lugar - Deyse da Silva Sobrinho 

O Quadro 

Da janela do meu apartamento vejo nitidamente o trânsito de veículos que trafega pela marginal do rio Tietê, Rodovia Airton Sena e um pouco da Avenida Aricanduva.

Logo cedo tudo parado! Não consigo entender como os motoristas se sujeitam dias após dias, a ficarem por horas, parados em filas indianas, um atrás do outro ou se preferir um à frente do outro.

Comparo-os como uma multidão de formigas que fazem grandes trilhas e assim caminham por horas! Quietas! Submissas! Cabeças baixas e muito esforço nos ombros! Todos os dias! Sempre igual! Mais parece que pintei um quadro e diariamente ao sair à janela passo a observá-lo!

Aos finais de semana, olho para o quadro e posso ver que os veículos criam vida e se movimentam. Agora eles dançam, voam! Voam pouco, mas voam! Há espaço para o movimento! Parece que saem do cortejo fúnebre da semana e passam a gargalhar pela vida!

Existe cor! Uns azuis, outros verdes, muitos brancos, pretos, pratas, vermelhos! Há uma multidão de cores, enfeitando as pistas, cinzas e empoeiradas!

Alguns querem voar alto demais e são abatidos pela imprudência. Vejo ambulâncias, socorristas!

Mas......quando chove..........o silêncio impera! Do meu quadro os personagens se afastam! Ali, agora permanece somente o posto de gasolina, os prédios de apartamentos com suas janelas fechadas, algumas árvores que fazem parte da paisagem e as estradas vazias, ocas, peladas e lavadas pelas águas da chuva.

Por esse motivo, meu quadro se apaga, os personagens partem e a vida morre!

Posso enxergar água suja, cor de barro, impedindo o trânsito que se acumula em outros pontos, pipocando muitas cores e muito sofrimento! Então, ouço as sirenes dos carros de bombeiros e suas luzes piscando ao longe!

Por quê? Ou oito ou oitenta! Estradas vazias ou superlotadas! Muita seca ou tanta água! Congestionamentos ou desolamentos! Por quê?

Eu já fui ilha um dia! Sim! Ilha! Eu dentro do meu carro, rodeada de água por todos os lados! Por isso, tenho taquicardia quando os nimbos se formam no céu, indicando a presença de chuva! Você já passou por uma situação dessas?

Que sensação horrível, não é mesmo?! Não tem o que fazer! Como sair? O medo impera e os pensamentos passam velozes, se chocam, explodem e retornam num vai e vem constante! A mente fica confusa e o coração bate apertado!

Nos meus pensamentos, pinto os quadros que desejo! Desejo dias melhores, sem violência! Desejo pessoas conscientes, éticas, usando sua inteligência e seus postos para a solução de problemas que visam o bem comum.

 Fico injuriada quando chego ao shopping e as vagas de idosos estão todas ocupadas e maioria delas, por pessoas que ainda faltam bons anos para adquirirem essa prioridade!

Eu faço parte integrante desse quadro que descrevo. Sou personagem! E como tal, desejo que ele tenha movimentos, cores, solidariedade, estradas protegidas e seguras, motoristas e pedestres éticos, paz, leis eficientes e uma sociedade justa para todos.

Desejo harmonia! Que todos toquem em uníssono! Que sorriam e sejam felizes! Afinal, o trânsito é de todos! Então, façamos dele o melhor!

Hoje, deposito os meus sonhos e desejos de longo prazo, em suas mãos! Pinte o seu quadro! Um quadro que seja vivo!


2º lugar - Vicente Riva Funicelli

Por um trânsito mais seguro

Aguardava ansioso o fim de todo dia de aula. Não que eu não gostasse da escola - era até bom aluno. Mas o que eu queria mesmo era brincar e pedalar pelas ruas tranquilas e não pavimentadas do bairro da Vila Diva. Para realizar meu desejo, esperava minha heroína chegar.

A Mulher Maravilha de minha infância era minha mãe. Interrompia seus afazeres de tecelã para me libertar das garras do colégio. De mãos dadas, enfrentávamos a pé os perigos do tráfego no percurso até nossa casa. Que eram poucos, é verdade. Dividíamos as ruas sem calçamento e com escassa sinalização com carroças puxadas por cavalos, alguns outros moradores e, vez por outra, um automóvel, que virava atração para toda vizinhança.

Logo as mãos de mamãe não seriam suficientes para me proteger. O uniforme escolar rapidamente cedeu lugar ao traje completo de auxiliar de escritório. Ela despedia-se de mim todas as manhãs com um sorriso e um beijo, dizendo: "Filho, vá com cuidado".

E com cuidado ia eu, de bonde em bonde, de ônibus em ônibus, cruzando as ruas do fervilhante centro da cidade. A velocidade da vida moderna já começava a ditar o ritmo dos transeuntes e dos veículos, que preenchiam com vigor o número crescente de vias urbanas, cada vez mais sinalizadas.

Mudei de emprego. E de meio de transporte. O carro entrou na minha rotina de representante comercial. Em seu interior, percorria quilômetros diariamente, pelas recém-inauguradas pistas da Marginal Tietê e da Radial Leste. Bem sinalizadas e com várias faixas de rolamento, representavam o triunfo da vida moderna.

Doce ilusão. Os problemas não tardaram a chegar. E, para eles, a modernidade não oferecia solução. A disputa por espaço entre carros, pedestres e motocicletas marcou o trânsito de São Paulo. O resultado desse confronto foi a frequente e infeliz mistura de congestionamentos e acidentes.

Em meio à selva de perigos, casei, formei família, eduquei meus filhos. Veio a aposentadoria, e ela trouxe o tempo necessário para refletir sobre várias questões e apontar possíveis respostas. Haveria saída capaz de deixar o trânsito mais seguro?

Minha experiência indica que contribuir para tornar o trânsito de São Paulo mais seguro é necessário. E, acreditem, é possível eliminar a chaga de acidentes que persiste em nosso sistema viário. Para isso, devemos compreender que o trânsito é mais do que um bem pertencente a todos nós. Ele também é feito por todos nós e para todos nós.

Nessa perspectiva, motoristas, motociclistas, pedestres e ciclistas não são apenas os destinatários das ruas e dos espaços públicos. São os verdadeiros agentes que sinalizam a nova modernidade que chegou. Uma modernidade em que a velocidade cede lugar à convivência como valor fundamental para consolidação da cidadania no trânsito. Uma modernidade em que ciclovias e ciclo faixas se unem às faixas exclusivas para ônibus e às pistas expressas para carros e motos, e demonstram que conviver é a forma mais segura para viver um trânsito de harmonia. Um trânsito mais seguro e mais humano para todos.

Atualmente, virei motorista ocasional, usuário de transporte público profissional e pedestre obrigatório. Também vivo aventuras ao lado de meu neto, sobre as rodas da bicicleta. Talvez hoje seja ele meu grande incentivador sobre convivência no trânsito. Lembrando minha mãe, agora sou eu que digo a ele: "Menino, vá com cuidado".

E ele responde:

- Vamos todos com cuidado, né, vovô?

Parece que nele a semente da convivência no trânsito já germinou.

Tenho certeza de que em você também.


3º lugar - Renata Elisa Zwerdling

Crônica Rimada

Você Hoje está com pressa?

Pode ser que assim, depressa,

irá mais cedo pro espaço ...

Não corra além do limite,

Procure ir devagar.

Já diz um velho ditado,

Feito pr'aquele apressado:

devagar se vai ao longe.

Não precisa nem ser monge

prá ser um bom cidadão.

Se avistar "PARE", obedeça!

Evolua mesmo! e cresça!

Não ande na contramão!

Deixe o pedestre passar

na faixa - ele tem direito!

Não dirija alcoolizado!

Você pode se dar mal,

porque, é o conselho final:

fazendo tudo bem feito

ficará bem satisfeito.

Fique ciente que os idosos

Têm conselhos preciosos.

Ouça a voz da experiência

que vale mais do que a ciência.

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